quinta-feira, 20 de novembro de 2008

MANEJO DO SOLO
A estratégia agroecológica aponta um caminho concreto para promoção de uma tecnologia ecológica e adaptada para a pequena produção. Para produzir alimentos saudáveis, em terras sãs, a manutenção da saúde do solo e da água deve ser a meta primordial do trabalho agrícola.
Uma importante forma de proteger o solo, sua umidade e a matéria orgânica é fazer a cobertura morta. Com o tempo, esta cobertura se decompõe se transforma em nutrientes para o solo e aumenta a atividade biológica do solo. Além da cobertura morta, o solo deve estar sempre coberto com plantações ou com vegetação nativa, que pode ser chamada de cobertura viva.
Para um bom manejo ecológico do solo, é sempre necessário haver adubação com matéria orgânica, que veio em última instância do solo, a ele retorna transformando-se em nutriente, o qual é assimilado pelas plantas, completando assim, o CICLO DA VIDA. A natureza predominante, o número, as espécies e o grau de atividade dos agentes ativos da decomposição são conseqüências da qualidade e quantidade de materiais que servem de alimento, das condições físicas (textura, estrutura e umidade) e químicas (quantidades de sais, nutrientes e pH) encontrados nos solos (PRIMAVESI, 1984).
Para que ocorra um equilíbrio no agroecossistema, a diversificação e a interação de espécies animais e vegetais é de extrema importância, sendo que a ausência de qualquer um de seus componentes pode acarretar um desequilíbrio ecológico. Uma outra vantagem da diversificação é que ocorre a ciclagem de nutrientes entre as diferentes espécies, e o conseqüente aproveitamento máximo dos recursos naturais. A diversificação de espécies em um agroecossistema pode ser feita pela rotação e consórcio de culturas, barreiras vegetais, adubação verde, integração da produção animal à vegetal e agrofloresta (DOVER, 1992). A rotação de culturas consiste em um planejamento racional de plantações diversas, alterando a distribuição no terreno em certa ordem e por determinado tempo.
O consórcio de culturas é o plantio de diferentes espécies vegetais, simultaneamente sobre uma mesma área. Além da associação entre cultivos comerciais, o consórcio pode ser feito também com leguminosas para adubo verde e cultivos comerciais.
A adubação verde, além de fazer parte da diversificação de um agroecossitema, é um excelente adubo, pois além de proteger o solo, pode ser a ele incorporado. Quando a adubação verde é feita com leguminosas sua associação com bactérias do gênero Rhizobium, proporciona a fixação de nitrogênio do ar no solo, reduzindo dramaticamente o consumo de adubo sintético nitrogenado, e por conseqüência a poluição do solo e água (LEONARDOS, 1998).
A integração da produção animal à vegetal em um agroecossistema é fundamental, pois os restos vegetais podem alimentar os animais e seu esterco e urinas podem ser utilizadas como adubo de alta qualidade.
Um outro manejo extremamente importante da agroecologia é a agrofloresta. Segundo Amador (1999), os sistemas agroflorestais são formas de manejo da terra em que as espécies agrícolas e florestais são plantadas e manejadas em associação, segundo os princípios da dinâmica natural dos ecossistemas. Os princípios do manejo agroflorestal incluem o conhecimento das características ecológicas e funcionais das espécies, a diversidade e a alta densidade de plantas, a poda, a capina seletiva e a participação humana e animal na dinâmica das agroflorestas.
Existe um caminho para reduzir a população de organismos prejudiciais, ao nível em que ela já não representa uma preocupação, nem é capaz de causar prejuízo. Este caminho é o controle biológico, que é o uso deliberado de organismos benéficos (agentes) contra organismos prejudiciais (alvos).
O manejo agroecológico favorece os processos naturais e as interações biológicas positivas, possibilitando que a biodiversidade nos agroecossistemas subsidie a fertilidade dos solos, a proteção dos cultivos contra enfermidades e pragas. A tecnologia utilizada nos sistemas agroecológicos é multifuncional na medida em que promove efeitos ecológicos positivos, tanto no que se refere à manutenção de bons níveis de produtividade quanto à conservação dos recursos naturais, de forma a garantir a sua sustentabilidade ecológica (PETERSEN, 1999 e REIJNTES, 1994).
A tecnologia agroecológica busca alternativas energéticas que não poluam, como por exemplo, a energia solar, a energia da força da água e do vento, pois tem um custo mais baixo (pelo menos, a médio e longo prazo) e não polui. Desta forma, pode-se afirmar que é uma agricultura que tem, a médio e longo prazo, a capacidade de baixar custos. Além disso, as florestas, os rios e o lixo orgânico, no enfoque agroecológico, são encarados como úteis e necessários para a propriedade.
As florestas são fornecedoras de matéria prima (lenha, madeira e frutos), auxiliando também na manutenção do equilíbrio ecológico e paisagístico. Os rios são fontes de água, peixes e lazer. O lixo orgânico pode ser transformado facilmente na propriedade em adubo de alta qualidade. Os praticantes da agroecologia buscam ainda produzir sua própria semente agroecológica (mais conhecida como semente orgânica), já que as comerciais, em sua larga maioria são melhoradas geneticamente para somente obter alta produtividade com o uso de todos os itens do "Pacote da Revolução Verde".
Outro importante motivo de se produzir as próprias sementes, é a independência que o agricultor ou sua forma organizativa adquire em relação às grandes empresas do setor (SHIVA, 1991; BERTRAND, 1991; CASADO, 1997; ZAPATA, 1997 e SCHAFFER, s/d).
A agroecologia não só oferece produtos mais saudáveis e nutritivos, mas também não polui o meio ambiente, preservando os recursos naturais e sendo claramente mais sustentável do que os sistemas convencionais.

Referências para Pesquisa:

ALTIERE, Miguel A. Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa 1.ed. Rio de Janeiro : AS-PTA, 1989. 240 p
GLIESSMAN, Stephen R. Agroecology: ecological process in sustanaible agriculture. Santa Cruz(EUA): University of, California 1996
GLIESSMAN, Stephen R. Haciendo la conversion a agricultura sostenible: es aconsejable y necesario. Santa Cruz(EUA): University of, California 1996
MARCOS, Z. Z. Estrutura, agregação e água do solo. Piracicaba, ESALQ, 1968. 55p
MONEGAT, C., Plantas de cobertura do solo: características e manejo em pequenas propriedades. Chapecó(SC); Ed. do Autor, 1991. 337p.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Projeto leva educação ambiental a assentados de Alagoas

Uma parceria entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas, o Movimento Minha Terra (MMT) e as prefeituras dos municípios de Cacimbinhas, Dois Riachos e Maragogi está levando educação ambiental e ações de preservação a três assentamentos alagoanos por meio do projeto agroflorestação. O projeto está em execução nos assentamentos São Pedro e Espírito Santo, em Maragogi, e Santa Maria, localizado em terras de Dois Riachos e Cacimbinhas.
As ações do projeto visam despertar a população dos assentamentos para a importância da biodiversidade e da vegetação da Caatinga e Mata Atlântica, contribuindo para o processo de desenvolvimento sustentável no combate ao desmatamento.
O projeto agroflorestação é uma alternativa para a recuperação em áreas de reserva legal e preservação permanente, atuando na produção de mudas nativas e frutíferas, recuperação de áreas degradadas, promoção da educação ambiental nos assentamentos, reflorestamento com espécies nativas das margens dos rios, riachos, lagoas e olhos d’água e difusão dos sistemas agroflorestais. São ações que contribuem para o desenvolvimento sustentável dos assentamentos.
De acordo com o engenheiro agrônomo Eduardo Medeiros, do Núcleo de Meio Ambiente do Incra/AL, o projeto é adaptado ao ambiente dos assentamentos. “Não existe estufa. O cultivo das mudas é feito em viveiros rústicos com a mão-de-obra dos assentados. Neles estão sendo cultivadas mudas nativas e exóticas. No assentamento Santa Maria, por exemplo, estão sendo produzidas mudas da Aroeira, espécie ameaçada de extinção”, afirmou.
Claudeilson Araújo, coordenador do MMT no projeto, diz que a participação dos assentados tem sido positiva e que os filhos dos agricultores são os maiores beneficiados, tanto no trabalho direto com o cultivo das mudas e coleta de sementes quanto no benefício futuro da preservação do ambiente em que vivem. “Os meninos se surpreendem, pois achavam que garrafas plásticas eram lixo e hoje as utilizam nos viveiros. Isso é gratificante”.
Os três assentamentos somam uma área de reserva legal e preservação de 610 hectares onde vivem duzentas famílias assentadas da reforma agrária. Tramitam no Incra, em fase de avaliação, mais dois projetos de recuperação ambiental que serão executados nos assentamentos Flor do Bosque e Pacas, em Murici.

Ecoturismo pode gerar renda para áreas particulares protegidas

por Bruna Didario

A proteção de áreas com atributos ambientais é um dos principais temas discutidos para manter a fauna e flora brasileira. Oswaldo José Bruno, da Fundação Floresta contou, durante a Adventure Sports Fair, sobre a importância do Programa de Apoio de Reservas Particulares.
Para entender melhor o que é o programa, a Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN) visa a conservação da biodiversidade em ambientes naturais. No Brasil, existem cerca de 37 unidades de conservação e a grande parte dessa área concentra-se a Mata Atlântica. “A maior reserva particular é a do Sesc Pantanal, com cerca de 1.200 hectares. Isso é mais ou menos a área do Petar (SP) e mais alguns parques juntos”, contou Oswaldo.
A RPPN só é criada em uma área pelo proprietário da terra. Entre as atividades que podem ser realizadas após a área se tornar uma área de preservação estão pesquisas científicas, ecoturismo e educação ambiental.
Benefícios - Além de benefícios naturais da proteção ao meio ambiente, como a conservação de recursos hídricos e das florestas, o proprietário de uma área com RPPN contribui para a terra tornar-se rentável. “A terra pode gerar renda com atividades de ecoturismo”, detalhou o membro da Fundação Florestal.
As unidades de conservação são perpétuas e não há limites de área. Uma das vantagens de participar do programa é a de ter prioridade em projetos. “Quem está com a RPPN tem vantagens e benefícios, e um dos exemplos que posso citar é a preferência em certos planos de restauração de áreas”, finalizou Oswaldo.

IPEMA


COBERTURA VEGETAL EM HORTA CASEIRA


TRATOR VIVO


ESPIRAL DE ERVAS


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O QUE É PERMACULTURA?


Permacultura é algo fácil de identificar com um monte de desejos pessoais profundos entre aquelas pessoas que sonham com paz, harmonia e abundância. Mas leva-se muito tempo para entender. Não se sinta desencorajado o leitor que está ansioso por conhecer a Permacultura ou aquele que julgava tê-la compreendido: os conceitos estão dados e são até bastante claros. A verdade é que as coisas mais importantes da vida exigem tempo e dedicação, tanto mais quando representam quebras de paradigmas.
Assumir para nossas vidas aquilo que é radicalmente novo não é tarefa fácil – no mais das vezes enfrentamos nossos próprios limites de compreensão e aceitação. Por isso, é preciso coragem, fé e determinação para tornar-se um permacultor. E tomar o tempo como aliado.Nas palavras de Bill Mollison de que mais gosto, a Permacultura é “uma tentativa de se criar um Jardim do Éden”, bolando e organizando a vida de forma a que ela seja abundante para todos, sem prejuízo para o meio ambiente. Parece utópico, mas nós praticantes sabemos que é algo possível e para o qual existem princípios, métodos e estratégias bastante factíveis. Os exemplos estão aí, para quem quiser ver, nos cinco continentes e em mais de uma centena de países.
ConceitosOs australianos Bill Mollison e David Holmgren, criadores da Permacultura, cunharam esta palavra nos anos 70 para referenciar “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”. Estavam buscando os princípios de uma Agricultura Permanente. Logo depois, o conceito evoluiu para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis” , como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos éticos, socioeconômicos e ambientais.
Para tornar o conceito mais claro, pode-se acrescentar que a Permacultura oferece as ferramentas para o planejamento, a implantação e a manutenção de ecossistemas cultivados no campo e nas cidades, de modo a que eles tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais. Alimento saudável, habitação e energia devem ser providos de forma sustentável para criar culturas permanentes.
No centro da atividade do permacultor está o design, tomado como planejamento consciente para tornar possível, entre outras coisas, a utilização da terra sem desperdício ou poluição, a restauração de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia. Este processo, segundo André Soares, permacultor do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado – IPEC, deve ser dinâmico, contínuo e orientado para a aplicação de padrões naturais, contendo sub-processos de organização de elementos dentro de determinados contextos.
No primeiro nível, a ação do permacultor volta-se principalmente para áreas agrícolas com o propósito de reverter situações dramáticas de degradação sócio-ambiental. “Culturas não sobrevivem muito tempo sem uma agricultura sustentável”, assegura Bill Mollison. No entanto, os sistemas permaculturais devem evoluir, com designs arrojados, para a construção de sociedades economicamente viáveis, socialmente justas, culturalmente sensíveis, dotadas de agroecossistemas que sejam produtivos e conservadores de recursos naturais.
Cooperação e solidariedadeA Permacultura exige uma mudança de atitude que consiste basicamente em fazer os seres humanos viver de forma integrada ao meio ambiente, alimentando os ciclos vitais da natureza. Como ciência ambiental, reconhece os próprios limites e por isso nasceu amparada por uma ética fundadora de ações comuns para o bem do sistema Terra.
Mollison e Holmgren buscaram princípios éticos universais surgidos no seio de sociedades indígenas e de tradições espirituais, que estão orientados na lógica básica do universo de cooperação e solidariedade. Não é possível praticar a Permacultura sem observá-los.
Primeiro, será preciso assumir a ética do cuidado com a Mãe-Terra para garantir a manutenção e a multiplicação dos sistemas vivos. Depois, o cuidado com as pessoas para a promoção da autoconfiança e da responsabilidade comunitária. E por fim, aprender a governar nossas próprias necessidades, impor limites ao consumo e repartir o excedente para facilitar o acesso de todos aos recursos necessários à sobrevivência, preservando-os para as gerações futuras.
Como parte dos sistemas vivos da Terra e tendo desenvolvido o potencial para desfazer a sustentabilidade do planeta, nós temos como missão criar agora uma sociedade de justiça, igualdade e fraternidade, a começar pelos marginalizados e excluídos, com relações mais benevolentes e sinergéticas com a natureza e de maior colaboração entre os vários povos, culturas e religiões.
Toda ética tem a ver com práticas que querem ser eficazes. “A ética da Permacultura serve bem para iluminar nossos esforços diários de trabalho com a natureza a partir de observações prolongadas e cuidadosas, com base nos saberes tradicionais e na ciência moderna, substituindo ações impensadas e imaturas por planejamento consciente”, assevera Bill Mollison. A chave é estabelecer relações harmoniosas entre as pessoas e os elementos da paisagem.
Design para a sustentabilidadeO trabalho do permacultor está baseado em princípios e métodos de design para orientar padrões naturais de crescimento e regeneração, em sistemas perenes, abundantes e auto-reguladores.
Earle Barnhart, permacultor de Massachussets (USA), escreveu que a regra cardinal do projeto da permacultura é maximizar as conexões funcionais. Isso quer dizer, combinar as qualidades de elementos da natureza e de elementos da criação humana para construir sistemas de armazenamento de energia. Não haveria nada de revolucionário nisso se as sociedades modernas agissem com base no bom senso.
Mas a história é bem outra e, por isso, a Permacultura, embora seja a “ciência do óbvio”, como gostam de dizer alguns de nós, está fazendo revoluções nas cabeças de jovens, adultos e idosos, oferecendo-lhes, em vez de sistemas fechados e fragmentários, o paradigma holístico contemporâneo, que tudo articula e re-laciona, para a construção de projetos abertos ao infinito.
As estratégias de design da Permacultura não existem apenas para o planejamento de propriedades abundantes em energia – este é apenas o primeiro nível de ação do permacultor. É possível desenhar também sistemas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio e finanças, distribuição de terras, comunicação e governança, entre outros, para criar sociedades prósperas, cooperativas, justas e responsáveis. O sonho é possível: a ética cria possibilidades de consensos, coordena ações, coíbe práticas nefastas, oferece os valores imprescindíveis para podermos viver bem.
A história da Permacultura no BrasilNão faz muito tempo, em 1992, Bill Mollison ministrou um curso de Permacultura no Rio Grande do Sul e estabeleceu um marco inaugural: de lá para cá, a Permacultura desenvolveu-se no Brasil, conquistando dia após dia um número crescente de praticantes.
Hoje, a Permacultura encontra-se nas esferas governamentais e surge como projeto alternativo de criação do primeiro emprego para jovens entre 16 e 24 anos. Este ano, cerca de 1.300 jovens do Distrito Federal e municípios do entorno serão capacitados para trabalhar com os princípios da Permacultura e criar redes de empreendimentos agroindustriais. O projeto é da Agência Mandalla DHSA e tem financiamento do Ministério do Trabalho e Emprego.
A Agência Mandalla DHSA, com sede na Paraíba, é uma OSCIP que está desenvolvendo tecnologias Sociais com base na ética e nos princípios e métodos de design permacultural, alcançando para a Permacultura a maior repercussão já vista no país (leia seção da página 4). Em menos de três anos, chegou a mais de 80 municípios de nove estados brasileiros, beneficiando diretamente duas mil pessoas com a garantia da segurança alimentar e a geração de excedentes para a comercialização. Entre as famílias beneficiadas, a renda média é de R$400,00 ao mês, sendo que há exemplos de agricultores auferindo renda mensal de R$1.700,00.
Os Institutos de PermaculturaSão oito no total, atuando de forma diversa. Aqueles que fundaram a RBP, Rede Brasileira de Permacultura (IPAB, em Santa Catarina, IPA, no Amazonas, IPEC, em Goiás e IPEP, no Rio Grande do Sul), funcionam como centros de pesquisa, formação e demonstração de tecnologias apropriadas, com apoio financeiro da PAL – Permacultura América Latina, instituição comandada pelo iraniano Ali Sharif, com sede em Santa Fé, Estados Unidos. A única exceção é o IPAB, que não possui centro demonstrativo e, por isso, atua de forma independente, dispensando financiamentos vindos do estrangeiro através da PAL.
A ação institucional do IPAB está voltada para pequenos agricultores e tem a parceria de sindicatos, prefeituras, ONGs e movimentos sociais. Os sistemas permaculturais fomentados pelo IPAB estão nas Unidades de Produção Familiar. O instituto atua também na multiplicação de conhecimentos em Permacultura através do Projeto de Formação de Professores.
A exemplo do IPAB, o Instituto de Permacultura da Bahia (IPB), o Instituto de PermaculturaCerrado Pantanal e o IPEMA (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica), possuem projetos sociais e muitos parceiros, mas não fazem parte da RBP. A título de ilustração, cito o Projeto Policultura no Semi-Árido, implantado no sertão da Bahia, atendendo hoje 700 famílias de pequenos agricultores. Com o apoio do IPB, as famílias estão desenvolvendo sistemas agroflorestais e garantindo para si segurança alimentar, trabalho e renda. O projeto ajuda os sertanejos a combater a desertificação e conviver harmoniosamente com a caatinga.
O IPOEMA (Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente), no Distrito Federal, que é o mais novo entre os institutos brasileiros, vai atuar fortemente no atendimento a comunidades locais e tradicionais, além de trabalhar com pesquisa e formação de novos permacultores.
Por enquanto, há pouca ou nenhuma interação entre os institutos de Permacultura do Brasil.
Rede Permear de PermacultoresCriada no ano passado, inaugurou um novo caminho para a Permacultura em nosso país. Em concordância com as palavras de David Holmgren, que citarei em seguida, ouso dizer que a Rede Permear é a prova de maturidade do processo de desenvolvimento da Permacultura no Brasil: “Quando o campo de trabalho é novo, as relações de competição prevalecem, exatamente como nos sistemas naturais imaturos e de rápido crescimento. Mesmo na Permacultura, que está fortemente enraizada na cooperação, a competição tem acontecido, causando estranheza, mas, sobretudo, mostrando quando o processo ainda não amadureceu. Em ecossistemas maduros, assim como em sociedades tradicionais estáveis, as relações tendem a se tornar mais mutualísticas e simbióticas”.
A Rede Permear chegou lá: integra hoje catorze projetos autônomos em quatro estados brasileiros (Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e mais o Distrito Federal. Os projetos são chamados de autônomos porque são iniciativas de pessoas, famílias e comunidades que trabalham em cooperação e com recursos próprios para multiplicar os conhecimentos em Permacultura (todos recebem formação como professores do IPAB) e para oferecer exemplos de sistemas produtivos de apoio à vida no lugar onde moram.Nós da Rede Permear costumamos dizer que a nossa teia deve alcançar todo permacultor ou grupo de permacultores cujo trabalho tem como princípio de ação a ética da Permacultura. E queremos para esta rede tudo aquilo que um sistema permacultural deve conter: diversidade e abundância de idéias e projetos, cooperação, solidariedade, sinergia, diálogo e amor, muito amor. Por fim, que seja para todos um caminho de transformação.

terça-feira, 9 de setembro de 2008


ECOVILAS



Ecovilas são agrupamentos humanos que buscam a auto sustentabilidade e o baixo impacto ambiental. A ecocasa é um elemento fundamental para construção de assentamentos mais sustentáveis. .A descentralização de nossas necessidades é a solução para atingirmos mais facilmente este objetivo. A Ecovila é uma extensão da ecocasa, é um planejamento de ocupação de uma área onde irão morar várias famílias com um mínimo de impacto possível e com convivência social e trabalhos comunitários. A idéia é criarmos vilas auto suficientes, gerando trabalho, conforto, vida social, saúde, educação, e com o mínimo impacto ambiental para isto. Habitações auto sustentáveis são um paradigma da arquitetura do novo milênio, onde os assentamentos populares irão consumir menos energia elétrica, reciclar seus dejetos, economizar água com reciclagens de esgoto e captação de água de chuva. Estas ecovilas terão áreas verdes em sistema agro florestais, que tanto servem para reflorestamento quanto para a preservação ambiental, para o lazer, como também para a produção de alimentos para os moradores O desenvolvimento habitacional hoje em dia provoca uma grande impacto ambiental ao mesmo tempo em que sobrecarrega o sistema de fornecimento de produtos básicos municipais como o abastecimento de água, emissão de esgoto, lixo e consumo elétrico. Se não adotarmos uma política de sustentabilidade em nossas cidades entraremos em constantes colapsos no sistema com necessidade de muito investimentos neste setor.

Ecovila: quais são as necessidades e princípios

ÁGUA: A água é uma de nossas necessidades mais importantes - se não tivermos água não poderemos viver. Nós somos abastecidos por uma empresa que tem que fornecer grandes quantidades retiradas geralmente de um mesmo manancial ou rio. O que ocorre é que com esta demanda nós estaremos desviando grandes quantidades de água de um mesmo local, prejudicando todo um ecossistema. .Para agravar ainda mais este quadro, depois que a água é usada para atender nossas necessidades, nós despejamos nos leitos dos rios grandes quantidades de água poluída. Se descentralizarmos este fornecimento e despejo, o impacto será bem menor. Uma eco vila tem que criar uma solução local para o fornecimento da água, reciclar e reutilizar as águas servidas.

ENERGIA: Também centralizamos o nosso fornecimento energético. Para sermos considerados uma eco vila, temos que criar sistemas alternativos, não poluentes e renováveis para nosso fornecimento de energia. Utilizar energia solar, eólica e mini hidrelétricas são soluções em curto prazo eficientes. Podemos ter uma central energética comunitária ou individual. A eco vila utiliza energia não poluente e de baixo impacto.

LIXO: Também pode ser descentralizado. Separado por habitação facilita e torna mais barata sua reciclagem. Uma eco vila recicla todo o lixo.

ALIMENTOS: Uma eco vila busca a sustentabilidade também no fornecimento de alimentos sem agrotóxicos. Poderemos ter uma grande quantidade de alimentos dentro das eco vilas ou incentivar agricultores da região a se tornarem produtores orgânicos. Organizar feiras de produtos regionais para abastecimento de alimento, troca de produtos e informações. A eco vila consome produtos naturais e que não causam grande impacto na sua produção.

CONSTRUÇÕES: As construções devem ser feitas de materiais retirados do local da obra ou da região, utilizar o mínimo possível de material industrializado, utilizar energia renovável e natural para aquecimento e refrigeração Em uma eco vila as construções estão o máximo possível integradas com o meio ambiente.

TRABALHO: Temos necessidade de criarmos condições de trabalho que estejam em harmonia com o meio ambiente e produzirmos produtos ecologicamente corretos.

TRANSPORTE: Uma eco vila visa minimizar o uso de transporte individual poluente e dá prioridade a transportes coletivos. Utiliza o Maximo possível transportes não poluente. Cria caminhos exclusivos para pedestres e ciclovias.

PLANEJAMENTO OCUPACIONAL: O projeto de uma ecovila visa ser o mais integrado possível com o meio ambiente. Utiliza os vales para produção; declives para levar água por gravidade às casas; preserva as áreas verdes e o ecossistema; cria áreas para um desenvolvimento futuro; áreas para convívio social, áreas de produção comunitária. Dimensiona os lotes de forma que as habitações estejam rodeadas por áreas verdes, cria acesso facilitado para pedestres e bicicletas além de áreas de lazer e infra-estrutura básica. Criamos zonas onde se concentram as atividades de trabalhos, áreas residenciais, áreas de lazer interligadas por caminhos e rodeadas de cinturões verdes. Convívio social. Criar espaços que incentivem o convívio social, isto irá aproximar as pessoas que vivem nas eco vilas, criando relações amigáveis e comunitárias. Qualquer assentamento humano pode se transformar em uma eco vila, deste que sigam os princípios básicos de uma eco vila. Muitas vilas tradicionais podem se transformar muito rapidamente em eco vilas, más grandes centros urbanos já terão grande dificuldades devido ao grande numero de habitantes, ao grande consumo de energia e matéria prima. Se seus habitantes e dirigentes assim o desejarem podem chegar a ter sucesso.

Para termos assentamentos ecológicos temos que realizar esta mudança dentro de nós, em nossa casa, e à partir desta transformação individual, é que conseguiremos transformar nosso bairro, nossa cidade e nosso país. Depende de cada pessoa, e de cada cidadão. Vamos encontrar a base técnica para criarmos uma eco vila nos princípios da permacultura. Temos que resgatar antigas técnicas que aliadas a novas tecnologias visam a auto sustentabilidade e o baixo impacto ambiental para construirmos um mundo mais em harmonia com a natureza.